Às minhas amigas
A gravidez, apesar de envolver, no mínimo, três pessoas, é um processo solitário. Apenas a mulher gestante é que sabe exatamente como é a sua gravidez, o que ela sente, as dificuldades e as alegrias dessa fase, além dos medos, que são vários. Está tudo vem com a criança? Será normal? Será feliz? O que vai acontecer comigo? Meu casamento vai sobreviver a uma criança recém-nascida e ao futuro? Como será o parto? Algum dia me sentirei novamente bem e eu mesma no meu próprio corpo? Terei energia? Como será a minha nova rotina? Conseguirei fazer as coisas que eu gosto? Enfim, os questionamentos são inúmeros e não há com quem dividir porque é um momento muito único de cada mulher e que cada uma passa de um jeito.
O dia em que eu descobri que estava grávida, levei um choque. Veja bem, eu ja havia decidido com convicção, mas entre a decisão e a realização é importante haver um período de adaptação que, no meu caso, não existiu. Talvez por isso, naquela manhã de quinta-feira, sentada sozinha no banheiro após fazer xixi num pote e mergulhar a fitinha dentro (porque fiz o teste mais bagaceiro da farmácia de R$ 3.99) e ver aquelas duas listrinhas vermelhas se formarem instantaneamente, eu tenha aberto um sorriso seguido por uma expressão carregada. Havia um pouco de tristeza. Eu ja havia decidido, mas seria bom?
Obviamente, quando contei para a minha família, ja esperava alegria, mas quando contei para as minhas amigas é que realmente fui me contaminando com a felicidade delas. As minhas amigas ficaram muito felizes, muito mais do que eu, que ainda estava me dando conta de quem era eu neste mundo.
Nunca vou esquecer das mensagens que eu recebi da Andressa, da Nathália, que rapidamente fez a pergunta mais importante: "tu tá feliz?", do abraço forte da Bianca e do beijo da Elisa, muito menos das lágrimas da Rajla, que sabe-se Deus porque, chorou! O carinho da Bruna, da Nicole, a preocupação e dedicação da Carine. Entre essas e outras amigas e amigos que ficaram tão felizes por mim e por nós, talvez tenha sido a parte mais legal da primeira fase da gravidez. As pessoas demonstram felicidade pelo outros, se importam, acham que é algo importante e oferecem apoio.
Logo mais, vieram presentes desses amigos que, aos 7 meses de grávida, lotaram o nosso closet, pois tu ainda não tinha quarto. Um all star que certamente tu nunca vai poder usar e uma coleção de bodies de banda de rock maior do que a minha coleção de camisetas, entre tantos outros. Somando tudo isso, logo percebi também, que tu já era um ser humano muito amado, apesar de ninguém ainda saber teu nome, que sexo teria, que comportamentos horríveis seria capaz de demonstrar no futuro como qualquer criança saudável.
A amizade é dos aspectos mais importantes da vida e nos contagia para o bem ou para mal. Por isso, é essencial escolhermos bem as amizades, criar laços e cultivá-los. Não tenho dúvida alguma que, apesar de passar 4 meses em casa, me sentindo muito mal, poder ter as amigas para conversar e sentir o apoio delas me deu força para não desanimar de vez e perceber que eu estava passando por uma fase meio ruim, mas que eu poderia ser feliz. Para elas eu reclamei, critiquei, disse tudo o que achava péssimo. Agora, para elas, mando as fotos da barrigona, compartilhamos risadas sobre um futuro hipotético e nos divertimos pensando em como vai ser tudo quando tu estiver, de fato, entre nós.
As nossas amigas são pessoas com quem sempre poderemos contar, são pessoas que vão te ver crescer, seja de longe ou de perto, que vão querer te ver feliz e que vão tomar vinho conosco quando tu fizer 18 anos, o que é coisa que passa rápido. Mas primeiro, elas vão querer te pegar, beijar e incomodar. Mas tenha claro, a amizade sólida é coisa que não acaba por qualquer bobagem, portanto, não tem problema em espernear. Afinal, não podemos nos submeter a qualquer coisa para termos/ mantermos amigos.
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