Quatro meses e, finalmente, posso dizer que amamentar é bom. Quando o belezinha está concentrado, claro. O início foi muito difícil, doloroso para o corpo e para a alma. A solução não foi imediata. Devo dizer que encarei a coisa quase como uma pesquisa, um projeto, prestando atenção em cada detalhe para poder ajustar na próxima vez. Passado muito tempo, conseguimos e é um orgulho pra mim termos chegado até aqui. Obviamente, abdicando de algumas coisas importantes como um happy hour, sair sem ti, etc, porque eu sou a tua fonte de comida e o medo de perder a amamentação foi sempre grande. Mas o importante é que todas essas coisas que eu deixei foi somente como uma pausa. Não tenho qualquer ressentimento, arrependimento e nenhuma sensação de estar perdendo alguma coisa, pois não estou perdendo nada e, logo, estarei de novo curtindo um vinho ou uma cerveja no fim da tarde. Nada é pra sempre, e é um período muito curto da tua vida em que tu precisa de mim pra se alimentar. E esse período já está praticamente acabando. Tudo é muito rápido, assim como foi a nossa evolução na amamentação.
Aos teus 10 dias de vida, encontrei uma consultora em amamentação, a Nanucha, que nos salvou pela primeira vez. Me ensinou a te posicionar melhor, a fazer a pega correta, o que deu um alento. A tua língua ainda era um problema e lá fomos nós na odontopediatra para descobrirmos que, primeiro, seria necessário consultar uma osteopata, pois o teu pescoço e teu corpinho não permitiam o posicionamento perfeito. A Maíra te arrumou naquela semana e fomos salvos uma segunda vez. No teu aniversário de 30 dias de vida, uma cirurgia na língua e as coisas melhoraram muito, mas o caminho ainda seria longo com muita osteopatia e fonoaudióloga. Esta peripécia durou quatro meses para que finalmente esse momento pudesse ser bom pra ti e pra mim e, finalmente, eu pude sentir a tal "conexão" da amamentação que as mães falam. Na verdade, não sei se é bem uma conexão, mas um sentimento de paz, de tranquilidade e alegria por poder prover, de forma sossegada, todo o alimento que tu precisa.
Ao fazer toda essa jornada e te levar comigo, penso que te ensinei a ser persistente, assim como me ensinei a te amar verdadeiramente, ou a entender que te amava, sim, de forma muito verdadeira. O amor verdadeiro faz com que a gente tenha comprometimento suficiente para cuidar, se esmerar e fazer tudo o que for necessário, apesar das dificuldades.
Então, meu filho, se um dia nossos genes ruins venceram (Deus queira que não) e tudo der errado entre nós, nunca te esquece que em cada mamá, enquanto eu te olhava, sentia a tua mãozinha com furinhos nos dedos e até lia um livro, eu te amei muito, amei mesmo e da forma mais pura que eu poderia amar alguém.
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